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A cruzada da gestão Bolsonaro contra a ciência brasileira

Ygara news
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A cruzada da gestão Bolsonaro contra a ciência brasileira

O período da gestão de Jair Bolsonaro foi marcado por episódios que demonstraram oposição sistemática ao desenvolvimento científico nacional. Entre abril de 2019 e março de 2021, diversas atitudes governamentais buscaram descredibilizar instituições de ensino, perseguir pesquisadores e promover falsas soluções em saúde pública.

Um dos primeiros marcos dessa postura ocorreu em abril de 2019, quando o então presidente afirmou publicamente que a maior parte das pesquisas não ocorria em universidades públicas, mas sim na rede privada. Na realidade, mais de noventa por cento dos estudos científicos do país sempre foram realizados em instituições públicas.

Meses depois, em julho de 2019, o governo entrou em conflito com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais após a divulgação de altas taxas de desmatamento na Amazônia. O então ministro da Ciência, Marcos Pontes, acabou exonerando o físico Ricardo Galvão da presidência do órgão após pressões políticas, embora os dados técnicos tenham se provado irrefutáveis.

Em 2020, no contexto mais crítico da crise sanitária, o Ministério da Ciência promoveu testes com o medicamento nitazoxanida com base em indícios frágeis obtidos em laboratório. A medicação acabou não apresentando eficácia real contra a doença, mas o episódio serviu para gerar propaganda favorável ao governo durante a pandemia.

A ofensiva governamental também incluiu medidas de caráter punitivo contra acadêmicos críticos. Em março de 2021, a Controladoria-Geral da União foi acionada para investigar dois professores da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, após manifestações contrárias à gestão federal diante da emergência sanitária.

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