A evolução da transparência médica sobre a saúde dos papas
Historicamente, a comunicação da Santa Sé sobre as condições físicas dos pontífices passou por uma transformação radical de abertura. No século passado, o câncer de estômago de João XXIII foi mantido em sigilo até seu falecimento em 3 de junho de 1963, enquanto o sucessor Giovanni Battista Montini teve sua mobilidade limitada por artrose até morrer de infarto em Castel Gandolfo no dia 6 de agosto de 1978. Albino Luciani, por sua vez, faleceu subitamente aos 65 anos em 28 de setembro de 1978, após apenas 33 dias de mandato, gerando controvérsias e teorias por falta de autópsia.
O cenário mudou drasticamente com João Paulo II após o atentado de 13 de maio de 1981 na Praça de São Pedro, cujos boletins passaram a ser diários e acompanhados mundialmente. Karol Wojtyla ainda enfrentou cirurgias, como a retirada de um tumor no cólon em 1992, e os efeitos visíveis do Parkinson nos anos 1990, mantendo atividades até falecer em 2 de abril de 2005. Anos depois, Joseph Ratzinger quebrou um tabu secular ao renunciar em 11 de fevereiro de 2013 devido ao desgaste físico e mental, abrindo debates sobre a capacidade de governar a Igreja Católica.
Já Jorge Mario Bergoglio enfrentou diversos problemas, incluindo uma cirurgia no cólon no Hospital Gemelli em julho de 2021, operação de hérnia abdominal em junho de 2023 e o uso de cadeira de rodas por dores no joelho. Francisco ficou internado por mais de cinco semanas em fevereiro de 2025 devido a uma pneumonia bilateral, período em que o centro médico romano virou um ponto central de imprensa, antes de falecer em 21 de abril de 2025 aos 88 anos. Posteriormente, em 11 de outubro de 2026, o pontífice norte-americano Leão XIV revelou publicamente a descoberta de um nódulo pulmonar em exames de rotina, demonstrando controle direto sobre as informações de sua própria saúde.
Com informações de noticias.uol.com.br.