Acordo comercial entre UE e China gera receio de abrandamento em Bruxelas
Bruxelas e Pequim fecharam na última sexta-feira um acordo comercial após quatro meses de negociações, no qual a China concordou em limitar a exportação de carros híbridos para o bloco europeu e flexibilizar as regras para o licenciamento de terras raras. A Comissão Europeia classificou o acerto como a fase inicial de conversas iniciadas em junho para reequilibrar a balança comercial, já que a União Europeia registra um déficit diário superior a um bilhão de euros com os chineses.
O entendimento ocorre logo após líderes de França e Alemanha exigirem um novo instrumento de defesa comercial para combater distorções econômicas estrangeiras. Contudo, diplomatas em Bruxelas temem que a trégua retire a urgência necessária para a aprovação de medidas mais duras durante a reunião de cúpula europeia, diminuindo a pressão sobre Pequim e reduzindo o ímpeto dos Estados-membros.
Pelo pacto estabelecido, o mercado europeu receberá um limite de 350 mil veículos híbridos chineses anualmente ao longo de quatro anos, com um reajuste fixo de seis por cento ao ano, o que representa mais do que a metade das estimativas de exportação para 2026. Em contrapartida, a União Europeia garantiu a liberação de tarifas para itens como calçados, autopeças, azeite e sorvete, gerando uma economia de pelo menos 225 milhões de euros em taxas.
Apesar do alívio imediato para a indústria automotiva alemã e da demonstração de força do bloco, especialistas e autoridades locais alertam que o pacto não será suficiente para eliminar o enorme déficit comercial bilateral. A Comissão Europeia prometeu apresentar propostas adicionais contra distorções de mercado até a cúpula de dezembro, enquanto novas rodadas de conversas políticas entre as partes estão agendadas para janeiro e março.
Com informações de euronews.com.