Alberta vota em referendo sobre permanência no Canadá ou separação
Eleitores da província de Alberta vão às urnas nesta segunda-feira para decidir se continuam a fazer parte do Canadá ou se realizam uma segunda votação vinculativa sobre a independência. O pleito ocorre em meio a profundas divisões locais, inclusive dentro do próprio movimento separatista, alimentado há anos por queixas financeiras e restrições à exploração de combustíveis fósseis. O clima de campanha foi atenuado no final de semana após um incêndio fatal em uma base militar na região que deixou mortos e feridos.
A premiê provincial Danielle Smith acabou convocando a consulta sob pressão de seu partido, apesar de estimar custos de até 400 bilhões de dólares canadenses para a transição. Opositores apontam prejuízos econômicos ainda maiores ao longo de cinco anos. O debate político uniu figuras de espectros rivais em defesa da unidade canadense, enquanto líderes locais alertam para os riscos de instabilidade.
A pauta energética continua no centro das insatisfações de Alberta com Ottawa, remetendo a velhas disputas sobre a gestão de recursos naturais. Analistas e críticos do separatismo apontam fragilidades na transição planejada pelos defensores da separação, além de divergências internas sobre a estrutura de um novo país. A votação desta segunda-feira também inclui outras nove medidas sobre programas sociais e reformas judiciais.
O referendo só assumiu este formato após uma ação judicial bem-sucedida de comunidades indígenas, que basearam seus argumentos em tratados históricos com a coroa britânica. Representantes dos povos originários criticaram a falta de diálogo dos separatistas e reforçaram que a província não possui respaldo constitucional para se separar do país.