Pular para o conteúdo
Quarta-feira, 21 de outubro de 2026 ☁️ Manaus 27°C Nublado
MUNDO

Ativistas enfrentam ameaças e isolamento para combater abusos no Iraque

Ygara news
Compartilhar
Ativistas enfrentam ameaças e isolamento para combater abusos no Iraque

A ativista Sarah Jassim utiliza sua página no Instagram para expor casos de assédio e agressão sexual cometidos por homens e rapazes nas ruas de Bagdá. Ela grava vídeos das abordagens e incentiva as vítimas a usarem a câmera como ferramenta para documentar provas ou constranger os agressores publicamente. Devido ao ativismo, Jassim enfrenta ameaças de morte e de ataques com ácido, o que a obriga a viver praticamente confinada em sua residência para garantir a própria segurança.

A legislação do país não possui termos explícitos que criminalizem a violência de gênero ou o assédio, e um comitê da ONU destacou em maio que a violência contra mulheres e meninas no Iraque é generalizada e subnotificada. Relatórios e relatos de vítimas apontam falhas estruturais nas forças policiais e no sistema judiciário, além da persistência de leis discriminatórias, como normas que permitem a absolvição de estupradores caso eles se casem com as vítimas.

Um caso emblemático envolve uma jovem menor de 18 anos que foi repetidamente estuprada pelo próprio pai sob ameaça de arma de fogo. A mãe da vítima, identificada ficticiamente como Amal, relatou que gastou anos em uma batalha judicial solitária e sem recursos financeiros, enquanto o ex-marido permanece foragido da justiça. A falta de abrigos seguros e o forte estigma social fazem com que muitas sobreviventes prefiram o silêncio para evitar represálias familiares.

Outras ativistas e defensoras de direitos humanos também sofrem retaliações constantes no país. Em março passado, Yanar Mohammed foi assassinada a tiros em frente à sua casa em Bagdá, e os autores do crime continuam desconhecidos, enquanto autoridades locais registram centenas de denúncias oficiais de violência sexual que representam apenas uma fração da realidade enfrentada pelas mulheres iraquianas.

Com informações de bbc.co.uk.

Leia também