Austrália pode enfrentar atrito com EUA por execução
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou que a execução militar do atirador de Fort Hood, Nidal Hasan, programada para o início de dezembro, será transmitida ao vivo. Em resposta, o partido Verde da Austrália instou a comissária de segurança cibernética, Julie Inman Grant, e o governo Albanese a impedirem que o público australiano tenha acesso às imagens pela televisão ou por dispositivos eletrônicos.
Pela Lei de Segurança Online, a agência reguladora possui autoridade para ordenar que plataformas como Facebook, Instagram e X bloqueiem conteúdos classificados como recusados pela legislação local, categoria normalmente aplicada a materiais terroristas. No entanto, o histórico de disputas judiciais indica que empresas como o X, de Elon Musk, costumam resistir a essas ordens, tendo vencido recentemente recursos para manter no ar registros de episódios violentos, como o assassinato de Charlie Kirk e o ataque a Iryna Zarutska.
A comissária também pode emitir ordens de remoção com base em normas de 2019 contra a exibição de crimes violentos reais, ou declarar uma crise online para obrigar provedores como Telstra e Optus a bloquearem sites. Contudo, adotar essas medidas contra plataformas de grande porte ou ligadas à administração Trump pode desencadear uma crise diplomática e um desgaste político considerável para o governo australiano.
A pressão sobre Julie Inman Grant é intensificada pelo escrutínio de políticos norte-americanos aliados a Donald Trump, a exemplo do congressista republicano Jim Jordan, que a criticam por supostas ameaças à liberdade de expressão nos Estados Unidos. O mandato da comissária encerra-se em janeiro do próximo ano e ela já declarou que não buscará a recondução ao cargo.
Na noite de segunda-feira, o órgão regulador informou que não detém poderes para bloquear proativamente a transmissão ao vivo na Austrália, mas que continuará monitorando e exigindo o cumprimento das normas para obrigar as plataformas a restringirem o acesso por conta própria.
Com informações de theguardian.com.