Bancos disputam clientes ricos com foco em herdeiros e exterior
As instituições financeiras no Brasil ampliaram a concorrência para reter clientes de alta renda com serviços que vão além dos investimentos tradicionais, oferecendo benefícios como ingressos para a Copa do Mundo, crédito para embarcações e aulas de tênis. Dados da Anbima referentes a julho mostram que o varejo de alta renda contava com 26,4 milhões de contas e R$ 3,4 trilhões investidos, enquanto o segmento private, para patrimônios a partir de R$ 5 milhões, reunia 208 mil clientes e R$ 2,8 trilhões. Juntas, essas categorias concentram R$ 6,2 trilhões, o equivalente a dois terços dos recursos aplicados por pessoas físicas no país.
A estratégia das instituições busca ampliar a principalidade, fazendo com que a vida financeira da família e das empresas fique concentrada em um único lugar. Para isso, os bancos investem em planejamento patrimonial, tributação, sucessão, investimentos no exterior e na preparação das próximas gerações. No Bradesco, por exemplo, foi criado o New Gen Hub, enquanto o Banco Do Brasil aposta no programa Generations e o C6 oferece o Next Wave e o Summer Job para jovens de 16 a 24 anos. A internacionalização também ganhou peso expressivo, com bancos como o Itaú registrando cerca de R$ 325 bilhões em patrimônio offshore.
Apesar da disputa acirrada entre bancos tradicionais, plataformas e instituições digitais, conquistar clientes de outras empresas exige paciência devido à chamada inércia bancária. Como a troca de instituição envolve reorganizar cartões, débitos automáticos e financiamentos acumulados ao longo dos anos, a conquista desse público costuma ocorrer de forma gradual, com a transferência inicial de apenas uma parcela dos recursos.
Com informações de redir.folha.com.br.