Bolívia investiga ex-presidente Evo Morales por mortes em 2009
A Procuradoria-Geral da Bolívia abriu uma investigação preliminar contra o ex-presidente Evo Morales, suspeito de envolvimento no assassinato e na tortura de cidadãos europeus ocorridos em 2009. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo procurador-geral interino, José Armando Urioste, que assumiu o cargo há uma semana e enviou um documento ao Supremo Tribunal relatando a coleta de evidências contra o ex-mandatário e seu ex-vice-presidente, Álvaro García Linera.
O caso remonta a uma operação policial realizada em um hotel na cidade de Santa Cruz, na qual três estrangeiros foram mortos a tiros: o boliviano-croata Eduardo Rózsa Flores, o irlandês Michael Dwyer e o húngaro-romeno Árpád Magyarosi. Outros dois homens, o boliviano-croata Mario Tadic e o húngaro Elöd Tóásó, sobreviveram à ação e denunciaram episódios de tortura após serem detidos pelas autoridades.
Na época do episódio, a gestão de Morales sustentava que o grupo liderado por Rózsa Flores tentava articular um movimento separatista financiado pela elite econômica conservadora de Santa Cruz. A abertura atual do inquérito atende a uma representação apresentada pelos parlamentares de oposição Tomasa Yarhui e Rodrigo Antonio, que apontam crimes como homicídio, abuso, tortura e prisão ilegal.
A Corte Interamericana de Direitos Humanos analisou o caso após denúncias de familiares e sobreviventes, concluindo em 2021 que o Estado boliviano violou direitos fundamentais. Atualmente, Evo Morales encontra-se foragido, enfrentando outras duas ordens de prisão no país por acusações que vão desde a liderança de protestos prolongados até o suposto tráfico de menores, denúncias que ele nega veementemente.
Com informações de theguardian.com.