Centenas de investigações de mortes pelas Forças de Israel sem desfecho
Uma análise detalhada mapeou 254 incidentes em que o exército israelense foi acusado de causar mortes ou ferimentos em Gaza, no Líbano, na Cisjordânia ocupada e em Israel, e que continuam sem um desfecho público conhecido. O levantamento examinou milhares de relatórios de notícias para identificar cerca de 300 casos que os militares afirmaram estar apurando, sendo que apenas 28 tiveram conclusões divulgadas oficialmente.
Dos episódios identificados, a maioria ocorreu em Gaza, com 158 registros, além de 48 na Cisjordânia, 32 no Líbano e 16 em território israelense ou em centros de detenção. Os fatos aconteceram entre 7 de outubro de 2023 e 19 de agosto de 2026, com pelo menos uma morte relatada em mais de 200 dessas ocorrências. Casos de grande repercussão, como um ataque a uma escola em agosto de 2024 que resultou em dezenas de mortes, permanecem sob análise prolongada.
As diretrizes internacionais recomendam que investigações sobre violações do direito humanitário sejam transparentes e céleres. No entanto, as autoridades militares de Israel afirmam que a publicação de informações depende de considerações legais, operacionais e de segurança, ressaltando que incidentes complexos exigem tempo para a coleta e verificação de dados.
Especialistas e organizações de direitos humanos apontam que a falta de transparência e a demora nos processos dificultam a prestação de contas. Enquanto isso, o exército de Israel defende que revisões operacionais e medidas disciplinares são aplicadas quando o padrão de conduta exigido não é cumprido pelas tropas durante os combates.