CEO da Ryanair prevê alta histórica nos preços das passagens aéreas na Europa
O diretor-executivo da Ryanair, Michael O'Leary, alertou que o continente europeu poderá registrar o maior encarecimento de passagens aéreas de sua história nos próximos doze meses. Durante uma entrevista concedida à Euronews, o executivo apontou que as tarifas devem subir entre 10% e 20% no ano de 2027, impulsionadas principalmente pelo encarecimento do querosene de aviação.
Segundo o dirigente, a alta nos preços do petróleo decorre do conflito envolvendo o Irã, que também provocou o fechamento prático do Estreito de Hormuz. Dados da Associação Internacional de Transportes Aéreos indicam que os valores do combustível de aviação na Europa e na Comunidade de Estados Independentes atingiram média de 207,61 dólares por barril na semana encerrada em 16 de outubro, representando um salto de quase 128% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O'Leary explicou que, embora várias companhias tenham se protegido contra a volatilidade por meio de contratos de hedge ao longo de 2026, a cobertura das empresas aéreas será bastante limitada a partir de abril de 2027. No caso da própria Ryanair, a proteção atual garante combustível a cerca de 67 dólares por barril, mas o CEO destacou que o custo do óleo sofrerá duplicação no próximo ano, deixando cerca de 85% da operação totalmente desprotegida.
Além do impacto direto do petróleo, o executivo criticou as taxas ambientais aplicadas na Europa, citando o exemplo da Bélgica, onde o imposto sobre a aviação saltará de dois para sete euros em janeiro de 2027. Como resposta direta a esse reajuste tributário anunciado em Bruxelas na terça-feira, 20 de outubro, a empresa de baixo custo decidiu cortar vinte rotas, retirar 1,1 milhão de assentos da programação de inverno e transferir seis aeronaves para mercados europeus mais econômicos.