Confrontos no Iêmen intensificam ataques aéreos contra a Arábia Saudita
As forças alinhadas ao governo do Iêmen informaram nesta quinta-feira que interceptaram um drone direcionado a Medina e um míssil lançado contra Riade, na Arábia Saudita. Os confrontos entre o exército iemenita, apoiado por sauditas, e os rebeldes houthis, alinhados ao Irã, se intensificaram na costa oeste do Mar Vermelho, acompanhando a expansão dos ataques rebeldes contra instalações de petróleo e aeroportos vizinhos. Na quarta-feira, Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis, declarou que o grupo realizou uma operação de alta qualidade contra a Aramco em Dhahran, além de investidas contra o aeroporto de Riade e uma refinaria na capital saudita.
Um representante do Ministério de Energia da Arábia Saudita confirmou que um prédio da Aramco em Dhahran foi atingido, gerando um incêndio limitado sem registro de vítimas fatais. Em resposta, a coalizão liderada pelos sauditas bombardeou o reduto houthi na capital iemenita, Sanaa. O aeroporto de Riade permanecerá fechado pelo menos até sábado devido ao cancelamento de voos, enquanto ofensivas recentes contra o local e contra o terminal de Abha já deixaram dezenas de mortos e feridos nas últimas semanas. A escalada do conflito também ameaça eventos de grande porte planejados no reino, como conferências econômicas e torneios esportivos.
Enquanto isso, as tropas do governo iemenita conduzem uma grande operação de contraofensiva chamada Amanhecer do Iêmen para recuperar o território costeiro tomado pelos houthis perto do estreito de Bab al-Mandeb. O porta-voz militar Majeed al-Nuzaili afirmou que o grupo realizou 2.309 operações de alvos usando aeronaves, drones e artilharia, destruindo 460 veículos militares inimigos. O gabinete saudita reiterou que não vai permitir ameaças à sua segurança ou à liberdade de navegação na região estratégica.
A violência contínua tem gerado consequências humanitárias alarmantes na província de Taiz e em outras regiões disputadas. O cerco imposto pelos houthis provocou escassez severa de combustíveis e suprimentos básicos, com o Programa Alimentar Mundial da ONU alertando que os estoques de farinha de trigo estão quase esgotados. A Cruz Vermelha relatou que hospitais na linha de frente registram números recordes de pacientes feridos por armas, com algumas unidades médicas recebendo mais de 700 baixas em apenas uma semana.