Confrontos violentos entre manifestantes e polícia entram no quinto dia
Manifestantes e a polícia de choque entraram em confronto pelo quinto dia consecutivo neste sábado, no centro de Tirana, capital da Albânia. Alunos do ensino médio e universitários mascarados atiraram pedras e bombas caseiras contra os agentes que tentavam proteger o ministério da educação. A tropa de choque respondeu com jatos de água, gás lacrimogêneo e o uso inédito de balas de borracha, dispersando a multidão que exigia a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama devido a acusações de corrupção.
Durante a tarde, os atos se deslocaram para o principal boulevard da cidade, em frente ao escritório do premiê, onde o público aumentou consideravelmente. Armados com pedras e fogos de artifício, os manifestantes enfrentaram sucessivas barragens de gás e contaram com o apoio de voluntários que distribuíam soro fisiológico para aliviar a dor nos olhos. À medida que o conflito avançava, fumaça preta de veículos incendiados tomou as ruas e forças especiais da polícia foram acionadas para reforçar a segurança na região central.
As manifestações, que começaram no meio do ano e se transformaram em um amplo movimento antigovernamental, já deixaram feridos de ambos os lados, centenas de prisões e cerca de 80 pessoas acusadas de distúrbios. Jovens participantes afirmam que a revolta é contra toda a classe política corrupta que domina o país há décadas. O premiê Edi Rama, no poder há 13 anos pelo Partido Socialista, minimizou os atos em redes sociais e culpou a oposição e atores estrangeiros por tentarem prejudicar a candidatura da Albânia à União Europeia.
A onda de revolta popular coincide com investigações conduzidas por um serviço de procuradoria especial, estabelecido em 2019 com apoio internacional, que recentemente prendeu a chefe do serviço secreto, Vlora Hyseni. Ela é acusada de ajudar o empresário Ergys Agasi, amigo pessoal de Rama, a escapar da justiça, embora a defesa negue qualquer irregularidade. Analistas políticos locais apontam que o premiê agora sofre as consequências de ter concentrado tanto poder em suas mãos, tornando-se o único alvo das frustrações da população.