Crescimento financeiro no futebol feminino contrasta com a precariedade
O futebol feminino caminha para se consolidar como uma indústria de um bilhão de dólares, mas grande parte das atletas profissionais ainda lida com baixos salários, instabilidade contratual e forte pressão psicológica. A constatação faz parte de um levantamento global divulgado pelo sindicato mundial de jogadores Fifpro, que ouviu mais de o 800 atletas. De acordo com o relatório, 59 por cento das jogadoras que pensam em abandonar a carreira precocemente apontam motivos financeiros, enquanto 46 por cento citam o estresse emocional.
Alex Culvin, chefe de futebol feminino da entidade, explicou que o rápido crescimento comercial da modalidade tem mascarado a realidade cotidiana das atletas. Globalmente, a receita do setor deve saltar de aproximadamente 581 milhões de dólares em 2024 para mais de um bilhão de dólares em 2027. Contudo, o avanço financeiro não veio acompanhado de redes de apoio adequadas. O estudo aponta que 57 por cento das participantes enfrentam problemas de saúde mental e metade delas relata falta de suporte psicológico por parte dos clubes.
A pesquisa também revelou disparidades alarmantes na remuneração ao redor do planeta. Embora a média salarial mensal tenha triplicado em relação a 2017 para 2.601 dólares, a mediana é de apenas 1.669 dólares. Os ganhos variam drasticamente entre as regiões, indo de 6.450 dólares na América do Norte a meros 480 dólares na África. Além disso, apenas dois terços das atletas recebem salários pelos doze meses do ano, com muitas pres افرas a assinarem vínculos de sete a nove meses.
Apesar dos desafios estruturais, a Fifpro destacou pontos positivos, como a queda de quase metade para 19 por cento no número de jogadoras que ponderam deixar o esporte pelo desejo de constituir família. A melhora é atribuída às normas de maternidade implementadas pela Fifa a partir de 2021. Para a organização sindical, o momento exige que regulamentações e políticas de proteção avancem no mesmo ritmo da expansão econômica, colocando as necessidades das atletas no centro das decisões.
Com informações de bbc.co.uk.