Crise energética global ameaça provocar disparada na fome mundial
O chefe do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola alertou em Bangkok, na Tailândia, que a alta nos custos energéticos está encarecendo a produção e o transporte agrícola, elevando o risco de uma crise alimentar global. Dados da entidade mostram que as cotações agrícolas internacionais subiram 13% apenas no terceiro trimestre.
O encarecimento dos combustíveis e dos fertilizantes decorre da escalada nos preços dos hidrocarbonetos, agravada pelo conflito no Oriente Médio. O presidente do Fida destacou que a inflação dos alimentos deve impactar severamente as famílias mais vulneráveis nos próximos seis a nove meses, lembrando que quase um terço da população mundial já não consegue comprar comida saudável.
Atualmente, cerca de 260 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar no planeta, sendo os pequenos agricultores os mais atingidos por responderem por um terço da produção global de alimentos. Para mitigar o problema, o G7 anunciou na quinta-feira (15) um pacote de 2,5 bilhões de dólares voltado a nações em risco, com foco especial na distribuição de fertilizantes.
Além da pressão energética, o fenômeno climático El Niño já prejudica colheitas de milho e feijão na América Central, além de comprometer os índices de chuva na Índia. Diante do cenário de vulnerabilidade, especialistas recomendam que governos adotem transferências de renda direcionadas e ampliem investimentos de longo prazo em infraestrutura agrícola e irrigação.