Entenda o quociente eleitoral e por que o mais votado pode não vencer
Nas eleições para deputados e vereadores no Brasil, o candidato com mais votos nem isso garante a vitória. A razão está no sistema proporcional, onde as cadeiras são distribuídas inicialmente com base no total de sufrágios que cada partido ou federação conquista, e apenas em seguida entre os nomes da legenda. Quando o eleitor digita um número na urna, ele indica sua preferência dentro de uma lista, mas o apoio computado serve para toda a sigla.
O cálculo começa com o quociente eleitoral, que define a quantidade mínima necessária para garantir uma vaga. Esse número resulta da divisão dos votos válidos do estado pelo total de cadeiras em disputa. Em seguida, aplica-se o quociente partidário para saber quantas vagas cada legenda obteve, dividindo o total da agremiação pelo quociente eleitoral. Os assentos vão para os mais votados da sigla, desde que alcancem pelo menos 10% do valor do quociente.
Essa regra explica por que candidatos muito populares podem ficar de fora caso o partido não atinja o total exigido. Por outro lado, o sistema também origina os chamados puxadores de votos, cuja votação expressiva ajuda a eleger colegas com apoios individuais menores. As coligações em eleições proporcionais foram proibidas em 2017 e substituídas pelas federações, alianças que obrigam os partidos a atuarem juntos por pelo menos quatro anos.
Para preencher as cadeiras que sobram após a distribuição inicial, aplicam-se regras de média e, recentemente, decisões do Supremo Tribunal Federal alteraram exigências para essas vagas residuais, provocando mudanças em mandatos federais. Diferente dos deputados, a disputa para o Senado segue o sistema majoritário, no qual os dois mais votados vencem de forma direta, sem cálculo de quociente.
Com informações de bbc.com.