Estudo controverso sobre vacina contra hepatite B é cancelado na África
Um projeto científico voltado para recém-nascidos na Guiné-Bissau, que pretendia analisar a vacina contra a hepatite B, foi oficialmente cancelado nesta quarta-feira. O pesquisador dinamarquês Frederik Schaltz-Buchholzer confirmou em uma rede social que a investigação não vai mais acontecer no país africano, reconhecendo a ausência das autorizações governamentais necessárias. A própria ministra da Saúde guineense, Quinhin Nantote, já havia negado anteriormente que a iniciativa tivesse sinal verde para prosseguir.
A pesquisa contaria com um orçamento total de 3,2 milhões de dólares, divididos entre repasses dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e de fundações privadas filantrópicas. A proposta enfrentou duras críticas da comunidade médica internacional por ser considerada antiética, uma vez que participantes poderiam ficar sem a imunização caso recusassem integrar o grupo de estudo. Especialistas apontaram que essa dinâmica comprometia o consentimento livre e esclarecido das mães.
Autoridades locais realizaram uma operação nas instalações do projeto Bandim Health Project para apreender os imunizantes que seriam utilizados no protocolo. Especialistas em saúde defendem agora que os recursos financeiros previstos sejam redirecionados para acelerar a aplicação universal da vacina em bebês no território guineense. Atualmente, o país planeja adotar a dose de nascimento obrigatória apenas no ano de 2028.
A Organização Mundial da Saúde reforça que todas as crianças recém-nascidas recebam a primeira dose do imunizante contra a hepatite B logo após o nascimento, de preferência nas primeiras vinte e quatro horas de vida. Especialistas destacam que a nação africana sofre com altas taxas de incidência crônica da doença, tornando a proteção precoce indispensável para evitar infecções graves e mortes evitáveis.