Europa diverge sobre culpa estrangeira em protestos e motins
Governos da França e da Itália têm responsabilizado potências estrangeiras por utilizarem as redes sociais para intensificar distúrbios civis e manifestações pela Europa. No entanto, autoridades de Bruxelas relatam que ainda faltam provas definitivas para comprovar que agentes externos iniciaram esses conflitos.
Durante uma conferência da OCDE na semana passada, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que narrativas hostis vindas da Rússia, da China, do Irã e do movimento MAGA exploraram protestos estudantis recentes no país. Na mesma linha, o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, classificou os episódios de violência em Milão como parte de uma guerra híbrida conduzida por meio de plataformas digitais como TikTok e YouTube.
Em contrapartida, a Comissão Europeia tem resistido aos pedidos para intervir formalmente na situação, alegando falta de fundamentação que ligue diretamente a manipulação externa aos atos de rua. Um representante da União Europeia, que preferiu o anonimato, confirmou que não há nenhuma confirmação final de que campanhas estrangeiras estejam por trás da instabilidade.
Embora redes de desinformação ligadas à Rússia tenham aproveitado o clima de violência para impulsionar suas campanhas online, a avaliação atual é de que os protestos foram apenas explorados, e não provocados, por atores estrangeiros. O próprio presidente francês, Emmanuel Macron, admitiu durante viagem ao Catar que houve manipulação informativa após os episódios, mas não interferência externa em sua origem.