Ex-alunos denunciam escola religiosa em Sidney por práticas abusivas
Duas ex-testemunhas relataram nesta segunda-feira a um inquérito parlamentar em Nova Gales do Sul, na Austrália, graves acusações de conduta imprópria envolvendo dirigentes da Redeemer Baptist School, instituição religiosa particular localizada na região oeste de Sidney. Entre os depoimentos prestados à comissão, ex-estudantes afirmaram que menores de idade chegavam a dividir camas com professores durante viagens escolares e que o diretor da instituição teria circulado sem roupas em uma área comum.
Edward Garth, de 23 anos, relatou aos legisladores que presenciou o diretor e líder eclesiástico Jonathon Cannon saindo de um banheiro totalmente nu em direção ao seu próprio quarto, que funcionava como sala de estar durante um acampamento de estudos nas férias. O jovem afirmou que tentou relatar o ocorrido à época, mas acabou sendo repreendido tanto pelos familiares quanto por membros da direção escolar.
Outra ex-aluna, identificada como Emma Hughes, declarou perante o comitê que a dinâmica interna da instituição gerava forte ansiedade e exigia anos de terapia para que os ex-alunos pudessem compreender na vida adulta. Ela afirmou que a falta de limites claros era recorrente, citando episódios em que estudantes do ensino fundamental precisavam revezar camas com docentes em cabines e parques de trailers por falta de espaço.
Hughes também denunciou um ambiente marcado por vigilância constante, humilhações públicas e invasão de privacidade. Em um dos casos relatados, um menino e uma menina foram obrigados a subir em cadeiras diante de turmas diferentes após docentes interceptarem um bilhete romântico, que foi lido em voz alta para dezenas de estudantes e professores presentes.
A comissão parlamentar investiga a administração da escola baseada em Parramatta, além da fiscalização exercida por órgãos governamentais sobre a instituição. Representantes da escola foram convidados a prestar esclarecimentos perante o inquérito, mas a presidente do comitê, Abigail Boyd, manifestou frustração com a ausência de resposta oficial às convocações.
Com informações de theguardian.com.