Ex-presidente do Congo une-se a grupo rebelde em nova coalizão
O ex-presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, anunciou nesta segunda-feira a criação de uma nova coalizão política e militar chamada Frente pela Refundação da Nação. O grupo inclui a facção armada M23, apoiada por Ruanda, que domina extensas áreas do leste congolês e controla a cidade de Goma desde janeiro de 2025, local onde o lançamento foi realizado na residência de Kabila.
Kabila assumirá a liderança máxima da FRN, tendo como vices líderes rebeldes como Corneille Nangaa, ex-comandante da Aliança do Rio Congo. Um conselheiro da coalizão afirmou que o objetivo é unificar forças de resistência para derrubar o atual governo por qualquer meio necessário, inclusive com o uso de força. O governo congolês ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
Especialistas apontam que a iniciativa eleva o risco de confrontos diretos entre Kabila e o atual presidente Felix Tshisekedi, além de poder inviabilizar futuras conversas de paz previstas para acontecer no Catar. No ano passado, a Justiça militar da RDC condenou Kabila à revelia à pena máxima por acusações de traição e crimes de guerra, conexões negadas pelo ex-governante, que também sofre sanções dos Estados Unidos.
Kabila esteve no poder entre 2001 e 2019, após assumir o cargo aos 29 anos na sequência do assassinato de seu pai, o presidente Laurent Kabila. O novo movimento político surge em um cenário de forte instabilidade na região oriental do país e em meio a debates sobre o limite de mandatos presidenciais de Tshisekedi, cujo segundo período no governo se encerra em 2028.
Com informações de aljazeera.com.