Fóssil de ave na China sugere espécie que pode ter perdido a capacidade de voar
Cientistas descobriram na China o fóssil de uma espécie primitiva de ave que provavelmente vivia no solo e não tinha hábitos de voo. Batizado de Yuezhuornis yangyuanensis, o animal tem idade estimada entre 149 milhões e 143 milhões de anos, pertencendo ao período Jurássico. O esqueleto foi detalhado em um artigo publicado no dia 14 de fevereiro na revista científica britânica Nature por pesquisadores liderados por Min Wang, da Academia Chinesa de Ciências.
O espécime mede cerca de 50 centímetros da ponta do focinho à cauda e foi localizado no sudeste do país asiático, integrando a fauna de Zhenghe. A análise anatômica revelou que o animal bípede possuía membros dianteiros curtos demais para funcionarem como asas, além de pernas longas equipadas com uma garra em forma de foice no segundo dedo, semelhante à de um Velociraptor, ideal para caçar presas terrestres.
Para os especialistas, essa morfologia aproxima o animal de aves modernas que não voam, como os faisões. O coordenador do estudo aponta que o achado questiona a teoria de que a seleção aerodinâmica foi a principal força na evolução inicial do grupo Avialae, sugerindo que os ancestrais do Yuezhuornis podem ter perdido a capacidade de voo ou que essa habilidade evoluiu mais de uma vez na história.
O paleontólogo argentino Fernando Novas, que comentou a pesquisa, destaca que o achado indica que alguns membros dos Avialae seguiram o caminho oposto de seus parentes, abandonando os ares. Além disso, as semelhanças do fóssil com os dinossauros troodontídeos podem alterar o entendimento atual sobre a relação de parentesco mais próxima entre os dinossauros e as aves modernas.