Insatisfução com custo de vida e moradia gera onda de protestos na Europa
A onda de protestos contra o alto custo de vida e a crise imobiliária que afetou recentemente França e Espanha se estendeu a Portugal e à Itália no último fim de semana. Em Milão, uma passeata que começou de forma pacífica no sábado terminou com confronto entre manifestantes mascarados e a polícia, após pedras e blocos de concreto serem arremessados contra os agentes. As forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo e canhões de água, resultando em dois policiais feridos e cerca de 50 pessoas detidas, incluindo menores de idade. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condenou a violência e afirmou que vândalos aproveitaram o ato para semear o caos, enquanto o prefeito da cidade, Giuseppe Sala, classificou os danos como injustificáveis.
Na capital portuguesa, centenas de pessoas montaram um acampamento de tendas na Praça do Rossio após uma manifestação que reuniu milhares em todo o país. Os participantes exigiram medidas enérgicas do governo contra a escalada dos aluguéis e a perda de direitos sociais, relatando uma sensação de sufocamento diante da inflação e da especulação imobiliária. Dados oficiais mostram que os preços dos imóveis em Portugal dispararam 124 por cento entre 2015 e 2024, o dobro da média da União Europeia, atingindo duramente os mais jovens e os moradores da região metropolitana de Lisboa. O primeiro-ministro Luís Montenegro reconheceu a indignação popular, mas alertou contra a importação de instabilidade externa.
A escalada de revolta social também provocou episódios violentos na Albânia, onde manifestantes exigiram a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama devido a taxas universitárias e condições precárias de ensino. No país balcânico, a multidão lançou coquetéis molotov e pedras contra as autoridades, incendiou veículos e apetrechos públicos, e a polícia utilizou balas de borracha pela primeira vez nos atos. Na França e na Espanha, insatisfações ligadas a despejos, habitação e serviços públicos continuam mobilizando milhares de cidadãos, pressionando lideranças políticas em toda a Europa a buscarem respostas urgentes para a crise socioeconômica.