Lança pode ter matado neandertal no Iraque há 75 mil anos
Um osso de ombro pertencente a um neandertal que viveu há 75 mil anos no atual território do Iraque apresenta uma perfuração circular de cerca de 1,5 centímetro de diâmetro. Conforme especialistas, a marca sugere fortemente que o indivíduo foi atingido por um golpe violento de lança, lançado de cima para baixo e pela frente, perfurando órgãos vitais antes de transfixar a escápula.
O estudo foi publicado no periódico Scientific Reports e detalha achados na famosa caverna de Shanidar, situada no Curdistão iraquiano. O local já havia revelado diversos esqueletos em sepultamentos intencionais realizados em camadas distintas de sedimentos ao longo de décadas, indicando uma possível tradição ritualística ligada à morte dentro do grupo.
Antes de sofrer o golpe fatal, o indivíduo apelidado de Shanidar A já havia sobrevivido a uma grave pancada no rosto que quebrou seus dentes, conseguindo viver por cerca de um ano graças ao suporte de outros membros de sua comunidade. A escápula preservada surpreendeu os arqueólogos pela fragilidade natural do osso, permitindo traçar detalhes precisos sobre a força e a trajetória do ataque.
O formato redondo da abertura óssea indica o uso de uma arma feita inteiramente de madeira, sem ponta de pedra acoplada. Embora seja instigante pensar em um confronto entre diferentes espécies humanas, pesquisadores apontam que a hipótese mais provável é de um conflito interno entre os próprios neandertais, registrando um dos exemplos mais antigos conhecidos de violência interpessoal no período paleolítico.