Macron critica comentários estúpidos de líderes estrangeiros sobre protestos
O presidente da França, Emmanuel Macron, repudiou nesta semana as falas de líderes internacionais sobre os recentes protestos que tomaram conta do território francês. Durante viagem oficial a Doha, no Catar, o mandatário afirmou que autoridades estrangeiras estariam aproveitando a crise para fazer campanha eleitoral às custas da nação europeia, classificando os discursos como inaceitáveis e estúpidos.
A declaração foi interpretada como uma crítica direta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O chefe de Estado francês apontou que houve disseminação de desinformação por meio de vídeos gerados por inteligência artificial, alimentando narrativas falsas de que o país estaria sendo invadido por hordas de migrantes e extremistas.
Nos últimos dias, manifestações pacíficas de sindicatos, estudantes e do movimento dos coletes amarelos acabaram manchadas por episódios de confrontos com a polícia e saques generalizados. Diante do cenário de instabilidade, Macron informou que se reunirá com ministros e chefes de inteligência para apurar os fatos e reiterou que o governo manterá medidas rigorosas, como toque de recolher e restrições a aglomerações, para evitar novos distúrbios.
A visita de três dias ao Golfo Pérsico também teve motivações econômicas, resultando em acordos para o fornecimento mensal de 200 mil toneladas de diesel vindas dos Emirados Árabes Unidos e do Bahrein. Ao encerrar os pronunciamentos, Macron frisou que a violência jamais será tolerada em uma democracia e que nenhuma manifestação justifica atos de vandalismo nos centros urbanos.