Mansão britânica usada para espionar nazistas vira museu
A histórica mansão Trent Park, localizada ao norte de Londres, abriu suas portas ao público pela primeira vez como museu para exibir seu papel fundamental durante a Segunda Guerra Mundial. O local, que pertenceu ao colecionador sir Philip Sassoon, foi requisitado pelo governo britânico em setembro de 1939 após sua morte, transformando-se em um centro secreto de interrogatório e escuta.
Sob a liderança de Thomas Kendrick, o porão da propriedade e as cocheiras foram totalmente equipados com microfones ocultos em vasos, luminárias e árvores. Oficiais alemães de alta patente eram mantidos na mansão sob condições luxuosas, com direito a criados e bibliotecas, o que os fazia baixar a guarda e revelar segredos militares cruciais pensando estarem seguros.
Para superar a barreira do jargão militar alemão, a operação recrutou refugiados judeus que falavam alemão, austríaco e tcheco, como Ernst Lederer, que mantiveram o sigilo absoluto até o fim da vida. Esses agentes monitoraram conversas que expuseram o sistema de orientação de bombardeiros Knickebein e o desenvolvimento dos mísseis V-1 e V-2, informações que permitiram o bombardeio do centro de testes de Peenemünde em agosto de 1943.
Além dos dados estratégicos de guerra, as escutas registraram relatos terríveis sobre o Holocausto, com oficiais admitindo assassinatos em massa. Contudo, esses dados confidenciais nunca foram aplicados em tribunais de crimes de guerra para preservar o método de espionagem britânico, com as operações em Trent Park encerrando suas atividades apenas em novembro de 1945.
Com informações de www1.folha.uol.com.br.