Moradores da Maré se mobilizam para informar sobre locais de votação
Quase 17 mil eleitores do Complexo da Maré, conjunto de 16 comunidades na zona norte do Rio de Janeiro, tiveram seus locais de votação alterados para o primeiro turno das eleições deste ano. A medida do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro afetou 41 seções e 16.907 moradores da região, sendo realizada com o argumento de retirar as urnas de áreas consideradas de alto risco ou controladas pelo crime organizado.
A mudança provocou transtornos relatados por moradores, que precisaram enfrentar longas filas, sol forte e deslocamentos para outros bairros, por vezes utilizando transporte por aplicativo ou transporte público. Dados levantados a partir de boletins de urna apontam que a abstenção nas seções transferidas da Maré alcançou 31,07%, índice superior à média nacional de 21,08% e à abstenção registrada na própria comunidade em 2024, que foi de 28%.
Organizações locais apontam que a transferência para fora do território gera barreiras de acessibilidade e mobilidade, afetando de forma desproporcional jovens, mulheres chefes de família, idosos e pessoas com deficiência. A ONG Redes da Maré destaca que fatores como a necessidade de atravessar grandes vias e a falta de transporte adequado dificultam o exercício do sufrágio, reforçando que o transporte gratuito por si só não resolve a questão de acesso.
Para tentar reverter o cenário e incentivar a participação no segundo turno, marcado para o próximo domingo (25), a Redes da Maré realiza a campanha Esquinas por Direitos entre os dias 20 e 23 de outubro. A iniciativa promove conversas nas ruas e divulgação nas redes sociais e aplicativos de mensagens, orientando os eleitores sobre a importância do voto e a necessidade de conferir os endereços atualizados antes de sair de casa.