Pular para o conteúdo
Quarta-feira, 21 de outubro de 2026 ☁️ Manaus 27°C Nublado
MUNDO

Moradores protestam contra uso de água por data centers na Indonésia

Ygara news
Compartilhar
Moradores protestam contra uso de água por data centers na Indonésia

Cerca de trezentos moradores da ilha de Batam, na Indonésia, invadiram um complexo de data centers armados com galões e garrafas plásticas vazias para protestar contra a falta de água nas torneiras. A revolta ocorreu porque, enquanto as residências da comunidade de Bakau Serip enfrentam escassez há três meses, as instalações tecnológicas do Nongsa Digital Park mantêm o suprimento necessário para resfriar suas máquinas. Os manifestantes relatam que agora dependem de caminhões-pipa que fornecem água barrenta e com odor desagradável, o que tem prejudicado o orçamento familiar das comunidades locais.

A concessionária de água local informou que busca melhorar o abastecimento, mas evitou relacionar o problema à demanda dos servidores de dados. Por outro lado, a agência governamental BP Batam atribuiu a crise hídrica a um período prolongado de seca e negou que o recurso destinado às residências esteja sendo desviado para a tecnologia. Contudo, devido aos protestos recorrentes ocorridos em agosto e setembro, as autoridades determinaram que as novas empresas do setor construam suas próprias usinas de dessalinização em vez de utilizarem os reservatórios da ilha.

A ilha de Batam abriga 1,3 milhão de habitantes que dependem exclusivamente de seis reservatórios artificiais de água da chuva, atualmente pressionados por uma forte estiagem associada ao fenômeno El Niño. O avanço tecnológico na região é impulsionado pela proximidade com Singapura, que impôs restrições a esse tipo de infraestrutura em seu território, atraindo investimentos bilionários de países como Estados Unidos, China e Austrália. Atualmente, dez data centers já foram aprovados na ilha e a demanda por energia na região pode ultrapassar 1.100 megawatts até o final da década.

Especialistas apontam que a opacidade das empresas quanto ao consumo real de recursos gera desconfiança e revolta na população afetada. Em meio a barulhos constantes de maquinário e o temor de colapso nos recursos básicos, os moradores cobram fiscalização rigorosa e prioridade para as necessidades humanas fundamentais. A revolta reflete um movimento global de resistência contra o impacto ambiental e social dos centros de processamento de inteligência artificial, que consomem grandes volumes de eletricidade e água para resfriar os servidores.

Com informações de bbc.co.uk.

Leia também