Moradores protestam contra uso de água por data centers na Indonésia
Cerca de trezentos moradores da ilha de Batam, na Indonésia, invadiram um complexo de data centers armados com galões e garrafas plásticas vazias para protestar contra a falta de água nas torneiras. A revolta ocorreu porque, enquanto as residências da comunidade de Bakau Serip enfrentam escassez há três meses, as instalações tecnológicas do Nongsa Digital Park mantêm o suprimento necessário para resfriar suas máquinas. Os manifestantes relatam que agora dependem de caminhões-pipa que fornecem água barrenta e com odor desagradável, o que tem prejudicado o orçamento familiar das comunidades locais.
A concessionária de água local informou que busca melhorar o abastecimento, mas evitou relacionar o problema à demanda dos servidores de dados. Por outro lado, a agência governamental BP Batam atribuiu a crise hídrica a um período prolongado de seca e negou que o recurso destinado às residências esteja sendo desviado para a tecnologia. Contudo, devido aos protestos recorrentes ocorridos em agosto e setembro, as autoridades determinaram que as novas empresas do setor construam suas próprias usinas de dessalinização em vez de utilizarem os reservatórios da ilha.
A ilha de Batam abriga 1,3 milhão de habitantes que dependem exclusivamente de seis reservatórios artificiais de água da chuva, atualmente pressionados por uma forte estiagem associada ao fenômeno El Niño. O avanço tecnológico na região é impulsionado pela proximidade com Singapura, que impôs restrições a esse tipo de infraestrutura em seu território, atraindo investimentos bilionários de países como Estados Unidos, China e Austrália. Atualmente, dez data centers já foram aprovados na ilha e a demanda por energia na região pode ultrapassar 1.100 megawatts até o final da década.
Especialistas apontam que a opacidade das empresas quanto ao consumo real de recursos gera desconfiança e revolta na população afetada. Em meio a barulhos constantes de maquinário e o temor de colapso nos recursos básicos, os moradores cobram fiscalização rigorosa e prioridade para as necessidades humanas fundamentais. A revolta reflete um movimento global de resistência contra o impacto ambiental e social dos centros de processamento de inteligência artificial, que consomem grandes volumes de eletricidade e água para resfriar os servidores.
Com informações de bbc.co.uk.