Mortes em surtos psiquiátricos geram críticas à PM paulista
Três mortes de pessoas em surto psiquiátrico provocadas por policiais militares em São Paulo, no período de menos de duas semanas, colocaram em debate a conduta da corporação em ocorrências dessa natureza. Os casos envolvendo Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, Camila Pereira da Silva, de 32, e Antônio Nunes Batista, de 40, motivaram cobranças públicas por capacitação adequada e ações integradas com equipes de saúde. Familiares apontam uso desproporcional da força e falta de preparo durante os atendimentos.
Em ocorrências recentes na capital, o volume de disparos chamou a atenção. Gustavo foi baleado 27 vezes em Moema após apontar um celular durante uma tentativa de suicídio, enquanto Antônio foi atingido por 24 tiros na Zona Norte após ser abordado portando uma faca e uma barra de ferro. Já a vendedora Camila foi morta com um tiro no peito desferido por um soldado que alegou não estar habilitado para o uso de taser. O secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Rodrigues, defendeu as ações como legítimo enfrentamento, mas a postura foi duramente contestada pelas famílias.
Especialistas na área de segurança ressaltam que situações de crise exigem suporte conjunto da assistência social e da saúde mental, priorizando o diálogo e o uso de armamentos de menor potencial ofensivo. O governador Tarcísio de Freitas informou que se encontrará com o comando da Polícia Militar para reavaliar procedimentos e treinamentos, com o intuito de evitar novos excessos e garantir a proteção da sociedade.
Modelos adotados em outros estados, como no Rio Grande do Sul pela Brigada Militar, demonstram eficácia na prevenção de fatalidades. Após a morte de Hérick Cristian da Silva Vargas em setembro de 2025, o estado gaúcho instituiu uma triagem rigorosa no telefone 190 para identificar crises psiquiátricas, estabelecendo que os agentes só intervenham de forma conjunta com equipes do Samu e com foco prioritário na negociação sem pressa.