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Mortos em velório no Quênia não participavam de tumulto

Ygara news
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Mortos em velório no Quênia não participavam de tumulto

Uma apuração jornalística revelou que três pessoas mortas por disparos da polícia durante a despedida nacional ao ex-primeiro-ministro Raila Odinga, no Quênia, não participavam da confusão que motivou os tiros. O evento ocorreu em 16 de outubro do ano passado, no Estádio Kasarani, em Nairóbi, após uma tentativa de invasão da área VIP. A análise de registros audiovisuais demonstrou que as vítimas estavam a distâncias entre 60 e 160 metros de onde ocorria o tumulto.

O ministro do Interior queniano, Kipchumba Murkomen, declarou que a atuação policial foi contida diante do lançamento de objetos pela multidão. Contudo, as imagens examinadas mostram arremessos de cadeiras de plástico, sem evidência de pedras. Perícias apontam que os tiros fatais podem ter partido de uma unidade policial de elite encarregada da segurança presidencial.

Entre as vítimas fatais estão o chef de cozinha Evans Kiche, de 40 anos, atingido na cabeça a cerca de 60 metros do ponto de conflito, além de Vincent Ogutu e Jidah Burka, que estavam a pelo menos 160 metros de distância em arquibancadas opostas. Os laudos de autópsia confirmam que Ogutu levou um tiro no peito e Burka foi baleada na cabeça. A morte de Odinga, aos 80 anos, gerou grande comoção e levou milhares de pessoas ao local, que teve mudança de última hora em razão do público.

Um ano após o episódio, a Autoridade Independente de Supervisão Policial ainda investiga o caso e nenhum agente foi responsabilizado criminalmente. Familiares das vítimas cobram respostas e justiça pela perda repentina de seus entes queridos durante uma cerimônia oficial organizada pelo governo. O Serviço Nacional de Polícia do Quênia afirmou que o incidente serviu de aprendizado para a atuação futura das forças de segurança.

Com informações de bbc.co.uk.

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