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Mortos em velório no Quênia não participavam de tumulto

Ygara news
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Mortos em velório no Quênia não participavam de tumulto

Uma apuração jornalística realizada pelo programa Africa Eye revelou que três pessoas mortas por disparos da polícia durante a despedida nacional do ex-primeiro-ministro Raila Odinga, no Quênia, não participavam da confusão que originou os tiros. O caso ocorreu em 16 de outubro do ano passado, no Estádio Kasarani, em Nairóbi, quando houve uma tentativa de invasão da área VIP. A análise de mais de 1.500 arquivos de mídia indicou que os civis atingidos estavam a distâncias entre 60 e 160 metros de distância do foco do tumulto.

Os relatórios de autópsia confirmaram que Evans Kiche, um chef de 40 anos, sofreu um tiro fatal na cabeça a cerca de 60 metros do incidente. As outras duas vítimas, Vincent Ogutu, de 36 anos, e Jidah Burka, de 42 anos, estavam em arquibancadas opostas, a pelo menos 160 metros de distância da área isolada. Exames periciais sugerem que os disparos letais podem ter partido de uma unidade policial de elite encarregada da proteção presidencial, cujos agentes usavam fuzis de assalto e uniformes camuflados.

O ministro do Interior queniano, Kipchumba Murkomen, defendeu a atuação das forças de segurança ao alegar que os agentes agiram sob forte pressão e de maneira contida após o lançamento de objetos, como cadeiras plásticas, pela multidão. No entanto, as imagens examinadas não mostram evidências do arremesso de pedras. Um ano após o episódio, a Autoridade Independente de Supervisão Policial ainda investiga o caso e nenhum oficial foi responsabilizado judicialmente.

A morte de Raila Odinga aos 80 anos, ocorrida no dia anterior na Índia, mobilizou milhares de pessoas e provocou mudanças de última hora no local do velório devido ao risco de superlotação. Viúva de Vincent Ogutu, Yvonne Akinyi lamentou a perda e questionou a violência das forças que deveriam garantir a segurança pública. A Polícia Nacional declarou que o episódio serviu de aprendizado para futuras atuações, enquanto familiares continuam cobrando justiça e respostas pelas mortes.

Com informações de bbc.co.uk.

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