Nova guerra civil ameaça estabilidade na Etiópia
As forças armadas da Etiópia e as autoridades da região de Tigré protagonizaram uma escalada drástica nos combates, levantando temores sobre o início de um novo conflito no segundo país mais populoso da África. A rivalidade ocorre após uma guerra devastadora entre 2020 e 2022 que resultou em centenas de milhares de mortes, além de episódios de violência extrema.
O cenário atual envolve a Frente de Libertação do Povo do Tigré unida a outros seis grupos armados na chamada Aliança pela Sobrevivência, cujo objetivo declarado é derrubar o primeiro-ministro Abiy Ahmed, no poder desde 2018. Por outro lado, o governo federal conta com o apoio de milícias aliadas e de uma facção dissidente tigrífia, enquanto a tensão diplomática com a vizinha Eritreia levou ao fechamento de embaixadas e à expulsão de diplomatas no dia 1 de setembro.
Especialistas alertam que a nova crise pode se fundir com a guerra civil no Sudão e atrair interesses de potências regionais como Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A situação estratégica é agravada pela tentativa de cortar rotas comerciais vitais para o porto de Djibuti, essencial para o país que não possui saída para o mar.
Esforços diplomáticos liderados pela União Africana, por meio do ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, encontram resistência devido à falta de neutralidade percebida pelos líderes de Tigré. Enquanto isso, líderes globais e o papa pedem apelos urgentes por diálogo e senadores americanos pressionam por intervenção diplomática para evitar uma catástrofe regional.
Com informações de redir.folha.com.br.