Nova onda de protestos estudantis gera tensão na França
Governos franceses historicamente temem revoltas lideradas por jovens devido à imprevisibilidade desses movimentos e à facilidade com que atraem a simpatia pública e a adesão de outros grupos. Atualmente, adolescentes realizam protestos e bloqueios que já atingem centenas de colégios e se espalham para universidades em todo o país. O movimento começou há quase duas semanas em Seine-Saint-Denis, na região norte de Paris, e ganhou força rapidamente.
A onda de manifestações foi acompanhada por episódios de violência, incluindo a destruição do salão principal de um liceu em Nantes por um incêndio e danos em portões de escolas pelo território nacional. O Ministério da Educação informou que 65 profissionais de ensino, entre eles 40 diretores, sofreram ferimentos. Além disso, autoridades registram cerca de 300 agentes de segurança e bombeiros feridos, além de aproximadamente duas mil pessoas detidas, enquanto grupos de estudantes relatam vários feridos pelo uso da força policial.
As demandas iniciais dos manifestantes focam na escassez de recursos, exigindo mais professores, redução no tamanho das turmas e melhorias estruturais nas instalações. No entanto, o cenário ocorre em um momento em que o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou uma proposta de orçamento baseada em fortes cortes de gastos públicos, sinalizando o fim de grandes concessões financeiras estatais.
Setores da direita e do centro acusam o partido de extrema esquerda França Insubmissa, liderado por Jean-Luc Mélenchon, de manipular os atos para inflamar a sociedade antes das eleições presidenciais. Relatórios policiais apontam a presença de agitadores externos e táticas radicais nos protestos. A legenda nega as acusações e afirma prestar apenas apoio legítimo, embora analistas apontem que a estratégia busca mobilizar o forte eleitorado jovem dos subúrbios.
Com informações de bbc.com.