Órgão manteve menina com pais mesmo com alertas de médicos na Austrália
Uma investigação judicial em Queensland revelou que os assistentes sociais responsáveis pela proteção à infância ignoraram os alertas de médicos e decidiram enviar a pequena Elizabeth Struhs de volta para casa com seus pais em 2019. A criança, que então tinha seis anos, havia sofrido um coma por cetoacidose diabética e os profissionais de saúde temiam que a mãe pudesse sabotar o tratamento de diabetes tipo 1.
A decisão foi tomada após uma reunião de uma equipe multidisciplinar, na qual os oficiais de proteção alegaram que afastar a menina de casa seria mais prejudicial, avaliando que o pai, Jason Struhs, estava disposto a administrar a insulina. Um policial que participou do encontro como agente de ligação afirmou à corte que era impossível demover os assistentes sociais de suas posições após uma decisão ser tomada.
Elizabeth acabou falecendo em sua residência em 7 de janeiro de 2022, aos oito anos, após seus pais retirarem a insulina necessária para sua sobrevivência. A família fazia parte de uma seita religiosa chamada Os Santos, cujos integrantes rejeitam a medicina e acreditavam que a menina seria curada por milagre ou ressuscitada.
No ano passado, todos os 14 adultos membros do grupo religioso foram condenados pela morte da menina, incluindo seus pais, Jason e Kerrie Struhs. A investigação conduzida pela legista Ainslie Kirkegaard continua ouvindo depoimentos de médicos, policiais e assistentes sociais envolvidos no caso para apurar as falhas institucionais que antecederam o óbito.
Com informações de theguardian.com.