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MUNDO

Policiais na França são acusados de mutilar adolescentes em atos escolares

Ygara news
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Organizações de direitos humanos e advogados franceses denunciam que vários adolescentes sofreram ferimentos graves, comparados a lesões de guerra, provocados por armamentos policiais durante manifestações em escolas. A França atravessa a quarta semana de seu maior movimento de protesto jovem em décadas, impulsionado por estudantes que exigem a substituição de professores ausentes e reparos em prédios degradados. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou ao senado que 36 investigações internas foram abertas sobre suposta violência policial, incluindo quatro casos de menores mutilados por armas explosivas e seis com lesões significativas.

Entre as vítimas está Evan, de 15 anos, que perdeu uma das mãos e vários dedos após a explosão de uma granada de efeito moral em Lens, no dia 5 de outubro. Outro caso envolve Eden, de 14 anos, que sofreu fraturas na mandíbula e perda de dentes devido a um disparo de lança-granadas a curta distância perto de Paris. Em Tours, um policial foi acusado de agressão agravada depois que Maël, de 16 anos, perdeu a visão de um olho após ser atingido por um disparo de arma de impacto. O ministério afirmou perante o parlamento que o uso de granadas de efeito moral em atos escolares foi suspenso, embora negue qualquer repressão excessiva.

O atual ciclo de manifestações também gerou preocupação devido ao número inédito de menores detidos pelas autoridades. Desde meados de setembro, o Ministério da Justiça registrou 6.773 detenções de menores de 18 anos, sendo que mais de mil foram liberados sem acusações. Advogados relatam que dezenas de adolescentes afirmaram ter sofrido agressões físicas, humilhações e insultos racistas ou sexistas durante as abordagens e sob custódia policial. O ministério responsável pela polícia não se pronunciou sobre as denúncias específicas de abusos cometidos nas celas.

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