Primeira premiê do Marrocos enfrenta resistência e expectativas
A escolha de Fatima Zahra El Mansouri como a primeira mulher a chefiar o governo do Marrocos gerou debates intensos no país. O rei Mohammed VI nomeou a política de 50 anos após o seu partido, o Autenticidade e Modernidade, vencer as eleições parlamentares de setembro e formar uma coalizão com 207 das 395 cadeiras da câmara.
A decisão real foi celebrada por muitos jovens e grupos feministas como um marco histórico na quebra de barreiras políticas. No entanto, a nomeação também reabriu discussões sobre o papel das mulheres no poder, com críticas de setores conservadores e religiosos que relembram preceitos islâmicos tradicionais sobre a liderança feminina.
Especialistas apontam que a nova premiê precisará navegar com cautela por um cenário político complexo, onde o monarca mantém o controle executivo central e autoridades religiosas resistem a reformas no código de família, conhecido como Moudawana. As discussões envolvem temas sensíveis como igualdade na herança, poligamia e direitos de custódia.
Com mais de duas décadas de vida pública, que incluem passagens pelo parlamento e a prefeitura de Marraquexe, El Mansouri ainda não detalhou se priorizará pautas de igualdade de gênero. Enquanto ativistas esperam avanços em direitos civis e na educação de meninas, analistas avaliam a ascensão dela como um reflexo dos interesses de modernização da própria monarquia.