Rabino israelense autoriza colonos a furtarem azeitonas palestinas
O rabino israelense Dov Lior emitiu na sexta-feira um decreto religioso permitindo que colonos judeus retirem azeitonas de pomares palestinos localizados na Cisjordânia ocupada. O texto argumenta que os proprietários palestinos, impedidos de acessar suas terras por restrições de Israel, já teriam sido compensados em anos anteriores e classifica a apropriação dos frutos como uma virtude para demonstrar posse da região.
A manifestação religiosa coincidiu com uma nova onda de violência durante a safra, resultando em pelo menos 19 feridos em 34 ataques cometidos por militares e colonos contra palestinos na Cisjordânia. Um fotojornalista americano do The Washington Post foi agredido e cinco automóveis foram incendiados enquanto a cobertura da colheita era realizada sob forte tensão.
Apesar da influência de Lior entre grupos extremistas e na extrema-direta israelense, outros líderes religiosos rechaçaram a orientação. Rabinos do conselho de Gush Etzion e a organização Tzohar qualificaram a conduta como furto e heresia, ressaltando que apenas o Estado possui legitimidade para confiscar propriedades reconhecidas como árabes.
Especialistas apontam que a rejeição de parte dos rabinos pode ter motivações políticas para tentar dissociar a imagem dos colonos pacíficos dos grupos mais radicais. Lior é conhecido por orientar figuras da extrema-direita local, enquanto o deputado de esquerda Gilad Kariv criticou duramente o decreto, afirmando que o religioso e seus seguidores empurram o país para a degradação moral.