Retorno da pirataria na Somália sufoca comunidade pesqueira
A cidade costeira de Bander Beyla, na região de Puntland, na Somália, tornou-se o epicentro de uma nova onda de pirataria que disparou desde o final de abril de 2026. Enquanto vários navios sequestrados foram mantidos próximos à costa, os moradores locais viram suas rotinas transformadas por restrições severas, operações de segurança e pelo impacto da escassez de recursos provocada por traineiras estrangeiras.
Pescadores com décadas de experiência relatam que a pesca predatória internacional já dificultava a subsistência de suas famílias antes mesmo dos sequestros. No final de agosto de 2026, autoridades locais proibiram a saída de barcos ao mar por dois meses, temendo que criminosos se disfarçassem de pescadores, o que deixou muitas famílias sem nenhuma fonte de renda.
Especialistas e analistas apontam que a pirataria na região depende fortemente de redes terrestres de apoio baseadas em laços de parentesco e clãs, que fornecem financiamento, equipamentos e proteção. Além disso, o desvio da atenção das marinhas internacionais para enfrentar ameaças dos houthis no Mar Vermelho e no Golfo de Aden a partir de o final de 2023 abriu espaço para a retomada dos atos criminosos na costa somali.
As restrições de segurança foram oficialmente suspensas em 1 de outubro de 2026, após operações bem-sucedidas que resultaram na libertação de três embarcações, sendo elas o Honour 25, o Seamull e o Eureka, além de 44 marinheiros, embora cinco tripulantes tenham morrido durante o resgate do Honour 25. Contudo, moradores continuam sob forte vigilância, com helicópteros da Força Naval da União Europeia sobrevoando rotineiramente a área remota em busca de criminosos armados.