Zelensky diz que Trump tenta forçar a Ucrânia a se render
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta segunda-feira (19) que o governo de Donald Trump busca obrigar Kiev a aceitar a rendição no conflito. Em entrevista à agência Bloomberg, o mandatário relatou que a Ucrânia deixou de receber avisos de inteligência dos Estados Unidos a respeito de ofensivas russas, apontando falhas no repasse de dados estratégicos. A declaração ocorre no mesmo dia em que o jornal Washington Post informou que a administração norte-americana vetou o envio de mísseis interceptadores essenciais para a defesa ucraniana.
A denúncia veio acompanhada de uma nova onda de bombardeios da Rússia, que disparou 16 mísseis e 270 drones contra Kiev e áreas próximas. A ofensiva deixou quatro mortos, mais de 50 feridos e atingiu 28 estruturas energéticas, deixando mais de 500 mil pessoas desabastecidas de água e eletricidade. O governo da Ucrânia criticou a falta de suporte prévio dos aliados diante da gravidade dos ataques.
Nos últimos dias, Donald Trump promoveu uma reviravolta na política externa ao suspender sanções contra Moscou e anunciar a importação de diesel russo, sob a justificativa de buscar um acordo de paz. Em contrapartida, Trump criticou duramente Zelensky na segunda-feira (19), acusando o líder ucraniano de sabotar as negociações e de atacar refinarias de petróleo da Rússia, o que, segundo Washington, prejudicaria o agronegócio e as empresas dos Estados Unidos.
A condução da política externa e a alta no custo de vida nos Estados Unidos impactaram a popularidade da atual gestão. Conforme pesquisa da Reuters divulgada na mesma segunda-feira (19), a taxa de aprovação de Donald Trump despencou para o menor patamar desde o início do mandato, atingindo apenas 31% de apoio popular em meio aos desdobramentos da guerra.