A escolha divina e a vulnerabilidade humana na história religiosa
O ensaísta e doutor em filosofia pela USP aponta que o Deus judaico-cristão apresenta um caráter marcadamente voluntarioso, traço que também é comum a divindades de outras religiões na Antiguidade. Segundo o texto, essa característica reflete a antiga percepção humana de que estamos constantemente submetidos a forças externas e internas incontroláveis.
A narrativa bíblica, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, está repleta de figuras escolhidas por essa vontade soberana, desde patriarcas e profetas até Maria e os apóstolos. Episódios históricos marcantes do povo eleito, incluindo o Holocausto e os eventos de sete de outubro, mantêm viva a reflexão teológica sobre o peso dessa eleição divina ao longo dos séculos.
No cristianismo, o conceito de graça introduzido nas cartas de Paulo traz uma dimensão de gratuidade que intriga e atrai a consciência dos fiéis. A grande questão que permanece é entender os critérios pelos quais a divindade decide direcionar a sua graça apenas a alguns, deixando aberta uma interrogação profunda sobre a vontade celestial.
Com informações de redir.folha.com.br.