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A trajetória e os significados políticos de Nossa Senhora

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A trajetória e os significados políticos de Nossa Senhora

Em 1921, um atentado com bomba na Cidade do México danificou o altar e entortou um crucifixo junto à Virgem de Guadalupe, mas a imagem permaneceu intacta. A figura de pele morena, associada a indígenas e mestiços, já havia sido utilizada em 1810 por Miguel Hidalgo como símbolo da luta pela independência, refletindo os antigos conflitos entre a Igreja Católica e o Estado mexicano. Na Polônia, a Virgem de Częstochowa também cumpre papel político, funcionando historicamente como emblema da identidade nacional e da resistência ao regime comunista, que chegou a apreender uma imagem em 1966 para conter aglomerações.

No Brasil, na Serra do Ororubá, em Pernambuco, o povo Xukuru reverencia Mãe Tamain, também conhecida como Nossa Senhora das Montanhas. A pequena escultura guardada na igreja de Cimbres é tratada pelos indígenas como um ser que pertence à natureza e ao seu povo, de modo que apenas o cacique pode manuseá-la, o que já gerou atritos com autoridades católicas. A devoção esteve profundamente ligada à luta pela demarcação da Terra Indígena Xukuru, homologada em 2001, após décadas de mobilizações e episódios de violência contra lideranças locais.

A devoção a Nossa Senhora Aparecida, encontrada por pescadores no Vale do Paraíba em 1717, carrega fortes marcas populares e raciais no país. A imagem negra foi declarada padroeira do Brasil em 1930 pelo papa Pio 11, e o feriado de 12 de outubro foi oficializado na década de 1980, durante a ditadura militar. Ao longo dos anos, a figura da santa esteve presente em diferentes contextos sociais, desde relatos tradicionais de milagres até manifestações políticas e pedidos de proteção à democracia.

Com informações de www1.folha.uol.com.br.

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