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BRASIL

Abstenção recorde no primeiro turno não reflete rejeição à política

Ygara news
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Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, marca que superou 21 por cento do eleitorado apto e atingiu o patamar mais alto desde 1998. Contudo, o cientista político Jairo Nicolau destaca que esse volume expressivo de ausências não pode ser reduzido a um simples desinteresse geral pela política partidária.

Pesquisas recentes indicam que motivos práticos explicam grande parte das faltas, incluindo viagens, questões de saúde, obrigações profissionais e dificuldades de locomoção ou de transferência de domicílio eleitoral. O levantamento também aponta distorções cadastrais, como a existência de centenas de municípios que registram mais eleitores do que habitantes.

Em termos regionais, o Nordeste apresentou a menor taxa de abstenção do país, com 18,4 por cento, enquanto o Sudeste concentrou o maior número absoluto de ausentes, somando 15,1 milhões de pessoas. O perfil dos faltosos historicamente inclui jovens entre 18 e 29 anos e idosos acima de 70 anos, grupo para o qual o voto já é facultativo.

Para o pesquisador, o baixo valor da multa eleitoral, estipulada em R$ 3,70, e a facilidade para justificar a ausência por meio de aplicativos fazem com que a obrigatoriedade do voto perca força na prática. As penalidades brandas ajudam a explicar por que o voto obrigatório no Brasil tem funcionado de forma cada vez mais flexível.

Com informações de g1.globo.com.

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