Flávio Bolsonaro exige novas quebras de sigilo para abrir seus dados
O senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) declarou nesta quarta-feira (21) que aceita liberar seus dados bancários, fiscais e telefônicos, mas colocou exigências para o cumprimento do desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante campanha na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, o parlamentar afirmou que o chefe do Executivo precisa abrir também informações de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que atuou como chefe de gabinete da Presidência, além dos registros do cartão corporativo da primeira-dama, Janja da Silva.
A movimentação começou na terça-feira (20), quando Lula protocolou no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para devassar seus próprios sigilos e os de parentes, como Janja e seu filho Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, cobrando que Flávio adotasse a mesma postura em relação aos últimos oito anos. O confronto político teve início em um debate televisionado no domingo (18) e deve ganhar novos capítulos em outro encontro entre candidatos marcado para esta sexta-feira (23).
No mesmo dia em que fez as cobranças, o senador entregou ao TSE um termo liberando suas informações bancárias, fiscais, telemáticas e telefônicas abrangendo um período de 20 anos. O documento inclui dados de familiares mencionados pelo adversário, de quatro empresas das quais o parlamentar é sócio ou administrador, e o aval para expor mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
Na visão do candidato do PL, apenas devassar as contas do presidente é insuficiente, pois dados cruciais estariam sob a responsabilidade de parentes, auxiliares e pessoas próximas. Por essa razão, ele exige que o petista também abra os sigilos dos filhos, de companhias associadas a eles, do Instituto Lula e de aliados desde o ano de 2003.
A lista de demandas do senador inclui ainda a publicação de registros sobre encontros de Lula com Vorcaro, o controle de acessos do banqueiro ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada, os nomes de visitantes durante o período em que o presidente esteve preso e detalhes sobre voos de um avião vinculado a Vorcaro. Flávio requer, por fim, a abertura de dados de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, de Roberta Luchsinger, de Edson Claro, de Frei Chico, irmão de Lula, e do Sindnapi, sindicato no qual ele ocupa o cargo de vice-presidente.