Arquipélago de Alcatrazes celebra dez anos de transformação ecológica
Completando uma década desde o decreto que o transformou em refúgio de vida silvestre em 2 de agosto de 2016, o arquipélago de Alcatrazes, situado a cerca de 40 km da costa de São Sebastião e Ilhabela, apresenta uma notável recuperação ambiental. A região, que antes servia como alvo para treinamentos de tiro da Marinha até 2013, hoje ressoa com o som de aves marinhas e abriga mais de 1.300 espécies, sendo aproximadamente cem delas ameaçadas de extinção.
Formado por 13 ilhas e ilhotas em mais de 670 km² de área protegida, o local abriga o maior ninhal de fragatas do Atlântico Sul e serve como habitat essencial para golfinhos, tubarões e baleias. A criação da unidade de conservação federal permitiu organizar o turismo sustentável, focado no mergulho regulamentado sem desembarque, e intensificar o monitoramento científico para combater a pesca ilegal na zona de amortecimento.
O isolamento geográfico do arquipélago também impulsionou o desenvolvimento de espécies endêmicas únicas, como a jararaca-de-Alcatrazes e plantas adaptadas que incluem uma espécie de begônia redescoberta recentemente após ser considerada extinta por mais de um século. Embora desafios com a pesca irregular e o controle de vegetação invasora ainda persistam, a atuação conjunta do ICMBio e da Marinha garante a preservação desse laboratório natural no litoral norte de São Paulo.