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MUNDO

Austrália debate propostas radicais para cortar imigração

Ygara news
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A Austrália debate a possibilidade inédita de reverter o fluxo de imigração líquida no país, algo que historicamente só ocorreu em momentos de crise profunda, como guerras, pandemias e depressões econômicas. A líder do partido One Nation, Pauline Hanson, prometeu zerar a migração temporária por três anos para tentar reduzir o custo dos aluguéis, gerando um alívio estimado em 54 dólares por semana para os inquilinos após o período.

Apesar da promessa de baratear a moradia, economistas alertam que uma reversão migratória tão drástica traria consequências negativas severas para a economia australiana. Especialistas apontam que a medida provocaria perdas expressivas nas receitas governamentais e nas exportações do setor educacional, além de poder empurrar o país para uma recessão prolongada, comparável a períodos de fortes crises financeiras.

Tentando acompanhar a retórica populista, a oposição liderada pela Coalizão também prometeu cortes profundos, fixando a meta de imigração líquida em 100 mil pessoas por ano caso vença as eleições, o que representaria o maior corte da história do país. Em contrapartida, empresários criticam duramente os planos, lembrando que setores cruciais como saúde, cuidados com idosos e agricultura dependem fortemente da mão de obra de estudantes e trabalhadores temporários.

Especialistas ressaltam que o verdadeiro problema da Austrália não está na imigração permanente, que se mantém estável em 185 mil pessoas por ano, mas sim na falta de controle sobre o sistema de vistos temporários. A proporção de imigrantes temporários na população dobrou nos últimos quinze anos, saltando de 2,9% em 2011 para 6,6%, criando o que alguns analistas chamam de uma subclasse de trabalhadores sem residência fixa.

Para o diretor do centro de migração da ANU, Alan Gamlen, o sistema precisa de ajustes cirúrgicos no controle de entradas temporárias, em vez de medidas extremas que possam causar uma derrocada econômica. No entanto, analistas ponderam que o debate atual é movido mais por promessas políticas de impacto do que por análises cuidadosas dos reais reflexos econômicos dessas decisões.

Com informações de theguardian.com.

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