Compositor cria réquiem com antigos seguros de escravizados
Antigos papéis de seguro que detalhavam o tráfico de africanos escravizados, iniciados ironicamente com menções divinas, inspiraram a criação de uma missa fúnebre memorial. A iniciativa partiu de Errol Francis, dirigente da instituição cultural Culture&, que percebeu a forte contradição de tratar seres humanos como cargas sob a bênção da religião.
O projeto resultou na obra Atlantic Requiem, composta por David Önaç, residente em Manchester, com estreia programada para este domingo no LSO St Luke’s, em Londres. A execução musical ficará por conta da Orquestra Sinfônica de Londres e dos BBC Singers, com regência do maestro premiado com o Grammy Malcolm J Merriweather, integrando a programação do mês da história negra.
Compatível com uma duração de 40 minutos e dividida em cinco movimentos, a composição mistura liturgia católica, registros reais de seguros da época da Lloyd’s de Londres e relatos sobre a violência extrema contra uma mulher escravizada em 1791. A linguagem sonora une música clássica contemporânea com elementos de jazz e gospel, refletindo influências culturais de ambos os lados do oceano Atlântico.
O autor da trilha sonora destacou que a estrutura do piano e a escala de blues serviram de base para traduzir musicalmente essa herança e as dualidades históricas. Embora aborde episódios dolorosos e cruéis do passado colonial, o espetáculo busca exaltar a sobrevivência e a resiliência dos povos africanos, sem substituir debates necessários sobre reparações financeiras.
Com informações de theguardian.com.