Doze executivos da Voepass viram réus por queda de avião
Mais de dois anos após o acidente aéreo que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, no interior paulista, a Justiça Federal aceitou a acusação formal apresentada pelo Ministério Público Federal e transformou 12 integrantes da cúpula da Voepass em réus. Entre os denunciados está o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, além de diretores e outros membros da alta administração.
A tragédia aconteceu em 9 de agosto de 2024, quando o turboélice ATR 72-500 do voo 2283 partiu de Cascavel com destino a Guarulhos e caiu em uma zona residencial, sem deixar sobreviventes. O MPF aponta que o desastre não foi obra do acaso ou de condições climáticas, mas sim o resultado de falhas sistemáticas na manutenção e de uma cultura corporativa que colocava o lucro acima da segurança.
Conforme as apurações da Polícia Federal, a aeronave não contava com liberação técnica para voar em áreas de gelo severo, avistadas na rota, e operava com sistemas essenciais inoperantes, como o degelo das asas e o limpador do para-brisa. Inicialmente, 16 pessoas foram responsabilizadas, mas quatro assinaram acordos de não persecução penal e ficaram de fora da ação judicial.
Em nota, a Voepass comunicou que continua colaborando com as autoridades e segue as normas regulamentares da aviação. A defesa de José Luiz Felício Filho informou que vai se manifestar no processo e argumentou que ele integrava apenas o Conselho de Administração na época do caso, sem controle operacional direto sobre os voos.