Engenheiro cria alternativas gratuitas para softwares gigantes com ajuda de IA
Com o avanço da inteligência artificial, desenvolvedores estão criando alternativas gratuitas para aplicativos pagos de computadores e celulares, o que pode transformar o futuro dos softwares tradicionais. Na semana passada, um usuário do Reddit chamado Brandon Thomas divulgou um projeto chamado ArtCraft, que funciona como uma recriação gratuita do pacote Adobe Creative Suite, incluindo ferramentas como Photoshop e leitor de PDF, batizadas de PhotoCraft e PdfCraft.
O pacote original da Adobe custa US$ 779,99 por ano no plano anual ou US$ 69,99 mensais. No início desta semana, o projeto de Thomas também lançou cópias do Microsoft Office, com programas chamados WordCraft, DeckCraft e GridCraft para concorrer com Word, PowerPoint e Excel. O criador das ferramentas é um engenheiro de software baseado em Atlanta, nos Estados Unidos, mas os programas estão acessíveis em todo o mundo.
Para reconstruir o ecossistema da Adobe, o desenvolvedor utilizou a plataforma de inteligência artificial Claude Opus 5.5, da Anthropic, combinada com a linguagem de programação Rust. Thomas afirmou que a iniciativa não é passageira e destacou sua experiência de 15 anos no setor de tecnologia, tendo trabalhado com sistemas de pagamento de alta confiabilidade, robótica e automação. O criador explicou que decidiu desenvolver as ferramentas gratuitas porque estava cansado de pagar taxas de cancelamento de softwares comerciais.
A iniciativa também levanta debates sobre a prática conhecida como vibe coding, termo criado em fevereiro de 2025 pelo cientista da computação Andrej Karpathy para definir o desenvolvimento guiado por instruções em linguagem natural a IAs. Embora Thomas ressalte sua longa bagagem técnica, o uso de inteligência artificial para gerar códigos tem impulsionado a criação de centenas de milhares de novos aplicativos no mercado global.
Especialistas em propriedade intelectual apontam que a replicação de softwares consolidados ainda caminha por uma zona cinzenta jurídica. Thomas classificou seus aplicativos como substitutos desenvolvidos por engenharia reversa limpa a partir de especificações públicas, embora especialistas como o professor Andres Guadamuz, da Universidade de Sussex, ressaltem que ainda é preciso examinar a proporção exata de código gerada pela inteligência artificial e a solidez legal do processo.
Com informações de aljazeera.com.