Especialista alerta que El Niño pode piorar crise climática no Amazonas
A região amazônica enfrenta há dois meses os impactos severos da fumaça gerada por incêndios florestais concentrados no sul do estado e na região metropolitana de Manaus. De acordo com o geógrafo Carlos Durigan, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazonia, o cenário atual é impulsionado por uma combinação de chuvas abaixo da média, estresse térmico e os reflexos do fenômeno El Niño.
O especialista explica que o super El Niño, somado aos efeitos globais do aquecimento do planeta, cria condições ideais para a rápida propagação do fogo. Embora existam decretos estaduais e federais que proíbem o uso do fogo e restrinjam práticas agrícolas tradicionais, Durigan destaca que falta maior capilaridade operacional nos territórios para coibir ações criminosas e conter a progressão das chamas antes que atinjam proporções incontroláveis.
As previsões científicas indicam que o fenômeno climático deve se estender até o primeiro trimestre de 2027, mantendo um ciclo de secas severas semelhantes aos registros de 2023 e 2024. Para o pesquisador, os governos precisam intensificar o monitoramento diário, ampliar o trabalho preventivo junto às comunidades locais e garantir suporte logístico, com fornecimento de água, alimentos e medicamentos para populações isoladas.
Diante do agravamento da crise socioambiental, Durigan também demonstra preocupação com o cenário político e legislativo no país. Para ele, a sociedade precisa estar atenta ao posicionamento de parlamentares e candidatos em relação à pauta ambiental, alertando que retrocessos nas leis de proteção podem intensificar ainda mais os desafios climáticos enfrentados pelo Brasil nos próximos anos.