Esquema em Guarulhos facilita envio e entrada de drogas
Uma investigação conduzida pela Polícia Federal desvendou esquemas criminosos operados por trabalhadores do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, para viabilizar a circulação de malas com entorpecentes. O monitoramento policial identificou rotas clandestinas que utilizavam o corte de cercas perimetrais, acessos a vestiários e fugas pelas áreas restritas de telhados e casas de máquinas do terminal.
A apuração demonstra que funcionários com crachás de acesso cooperavam tanto para abastecer aeronaves com destino à Europa quanto para receber cargas enviadas do exterior, prática conhecida como tráfico reverso. Entre os episódios registrados estão a prisão de um eletricista no telhado com 33 quilos de cocaína e a interceptação de outro colaborador que tentou fugir após colocar malas com drogas em um contêiner rumo a Lisboa.
O esquema também afetou passageiros inocentes, como a brasileira Gabriele, que teve a bagagem extraviada em uma viagem internacional e, meses depois, foi alvo de uma intimação policial. A Polícia Federal encontrou duas malas com 50 quilos de haxixe despachadas em nome dela e de outra passageira desconhecida, reforçando a suspeita de clonagem ou troca de etiquetas de identificação para burlar a fiscalização.
Nos primeiros dez meses de 2026, as apreensões de drogas no terminal de Guarulhos alcançaram quase cinco toneladas, registrando um recorde histórico com 274 prisões por tráfico. A concessionária GRU Airport e a Agência Nacional de Aviação Civil informaram que buscam aprimorar a vigilância e estudar novos investimentos em segurança em parceria com as autoridades policiais.