Estudo aponta que propaganda eleitoral ocorre em apenas 3% das igrejas
Um levantamento recente conduzido pela More in Common Brasil em parceria com o grupo Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, jogou luz sobre a influência política nos templos religiosos do país. A pesquisa analisou 7.456 missas e cultos realizados em 25 estados, além do Distrito Federal, durante os dois domingos que antecederam o primeiro turno das eleições. Foram monitorados 1.785 templos católicos, 3.596 cultos batistas e 2.075 encontros da Assembleia de Deus.
O objetivo central foi mensurar a frequência de discursos políticos nas igrejas, testando a tese do chamado voto de cajado, conceito que sugere forte manipulação e direcionamento de votos por parte de líderes religiosos. Os resultados mostraram que a propaganda eleitoral explícita ou indireta apareceu em apenas 237 transmissões, o equivalente a 3,2% do total analisado. Em contrapartida, conteúdos de cunho cívico, como pregações contra a polarização e estímulos ao voto consciente sem indicação de candidatos, somaram 15,3%.
A incidência de propaganda variou conforme a vertente religiosa avaliada pelos pesquisadores. Entre os católicos, o índice de interferência política foi de 0,7%, enquanto nas igrejas batistas atingiu 1,4% e, nas assembleianas, chegou a 8,3%. Especialistas apontam que, embora exista preconceito contra fiéis evangélicos no meio letrado e estratégias discretas de persuasão nos bastidores, a pressão direta nos púlpitos ainda representa uma exceção minoritária no cenário nacional.
Com informações de www1.folha.uol.com.br.