Famílias adotam brinquedos livres de gênero para incentivar crianças
A professora Ana Elisa Maia, de 25 anos, precisou mostrar vídeos de bailarinos ao filho Dante, de 3 anos, para que o menino tivesse referências masculinas após escolher uma sapatilha cor-de-rosa e questionar se homens também dançam balé. Histórias como essa ilustram como pais têm buscado estimular o desenvolvimento infantil sem impor restrições baseadas em estereótipos de gênero, permitindo maior liberdade de escolha.
Relatórios de órgãos como o Unicef apontam que as distinções começam logo na primeira infância, direcionando meninas a tarefas de cuidado e bonecas, enquanto afastam os meninos de demonstrações de afeto e emoções. Especialistas destacam que questionar a adequação de um brinquedo e inverter papéis ajuda a romper com padrões rígidos que associam a masculinidade à força ou limitam os interesses femininos.
Pais relatam que a abertura para explorar diferentes opções traz reflexos diretos no crescimento e na aprendizagem. A jornalista Raquel Reis, de 39 anos, lembra que não teve estímulo a jogos de raciocínio lógico na infância e decidiu dar total liberdade à filha Olivia, de 5 anos, que prefere fantasias do Homem-Aranha a roupas de princesa. Da mesma forma, Nathalia Miranda, de 27 anos, ampliou as alternativas de lazer para o filho Bento, de 2 anos, após a escola relatar que ele brincava com bonecas.
Apesar dos benefícios para a formação individual e para o combate a preconceitos, famílias ainda enfrentam julgamentos externos, como parentes que questionam a entrega de ferramentas ou carrinhos para meninas. Psicólogos recomendam manter um diálogo aberto com os filhos diante dessas situações, apontando que o enfrentamento de pequenos constrangimentos faz parte do amadurecimento e do desenvolvimento pessoal.
Com informações de www1.folha.uol.com.br.